terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Faro e Tavira


Havíamos deixado a região do Algarve português para conhecer no fim de nossa viagem na esperança de conseguir dias agradáveis de sol nas praias da região, mas deixamos Sevilha com o tempo ruim e na fronteira entre Espanha e Portugal encontramos uma tempestade. Até este momento eu tinha esperança de um carimbo espanhol em meu passaporte, pois quando deixamos Guarda em direção a Salamanca o guarda de fronteira só olhou nossa foto e eu pretendia pedir um carimbo na volta a Portugal, mas minha esperança se foi quando passamos pelo posto de fronteira debaixo de muita chuva e o guarda acenou, de longe e protegido, ao motorista do ônibus que não parasse... Lá se foi meu carimbo espanhol no passaporte...

Minha esperança de dias de sol em praias do Algarve também se foi quando chegamos na Rodoviária de Faro debaixo de chuva. Era o fim do inverno e a primavera se aproximava com uma frente fria. Optamos por diminuir os dias na região e ficamos apenas um único dia inteiro, passando metade dele em faro e a outra metade em Tavira e partindo para Lisboa em seguida.

Deixo aqui o relato com um pouco do que se pode ver nessas duas cidades, mas aviso que há muito mais o que conhecer por lá, pois a natureza foi generosa com o sul português e pretendemos retornar um dia no verão para aproveitar de verdade o lugar.
Praça em Faro

Faro

Faro é a capital do Algarve no sul português e conta com um aeroporto que fica a 5 Km do centro. Também é possível ir e vir de Faro de trem e foi assim que partimos dali para Lisboa. A rodoviária de Faro faz a ligação entre as cidades de região e também liga o país a Espanha.

 
A simpática cidade de Faro

A cidade renasceu várias vezes ao longo dos séculos, após invasões, incêndios e terremotos. Uma vila de pescadores pré-histórica tornou-se um importante porto e centro administrativo sob comando dos romanos sendo depois tomada pelos mouros.

 
Marina de Faro

Capturada dos mouros em 1249 por Afonso III, Faro prosperou até o ano de 1596, quando foi saqueada e incendiada pelo Conde Essex, protegido pela rainha da Inglaterra. Uma nova cidade renasceu das cinzas para ser destruída novamente pelo grande terremoto de 1755, deixando poucas construções antigas.
Resquícios da muralha de faro
O Arco da Vila que conduz ao pequeno centro antigo foi construído no século XIX em uma retomada da cidade que encontrava-se em declínio.

 
Arco da Vila
 
Entrada para Vila-a-Dentro


No interior das muralhas antigas encontramos no Largo da Sé duas importantes construções de Faro, a Catedral e o prédio do Paço Episcopal. O paço foi construído no século XVIII e ainda é usado pela igreja, não estando aberto ao público. Laranjeiras completam a paisagem do largo.

 
Paço Episcopal com laranjeiras nas calçadas da praça

No lugar onde hoje está a Catedral da Sé existia uma igreja destruída pelos ingleses em 1596, que havia sido erguida sobre uma antiga mesquita. Da construção original ainda restam a base do campanário, seu portão medieval e duas capelas.

 
Catedral da Sé de Faro: Torre original e nave reconstruída

É possível fazer uma visita na igreja e ver de perto o que restou da igrejinha original e sua mistura com novos estilos resultantes da reconstrução do lugar. O bonito coro, junto ao altar, apresenta decoração em azulejos nas paredes e um belo retábulo dourado ao fundo.

 
Altar e coro da Catedral

A visita inclui conhecer um pequeno museu com arte sacra e as duas capelas originais, ou o que restou delas. A Capela de São Miguel guarda objetos de arte enquanto a Capela dos Ossos é apenas um altar sem teto ou paredes laterais, mas exibe a característica que lhe dá o nome, pois o altar montado com ossos humanos está bem preservado.

 
Museu de arte sacra
 
Capela de São Miguel

Altar da Capela dos Ossos: Só restou o altar de ossos na pequena capela


Para finalizar a visita pode-se subir no Campanário original, que resistiu a destruição, e admirar a paisagem da cidade ao redor com a Ria de Faro ao fundo.

 
Sino no campanário
 
Ruas de Faro com a Ria ao fundo vista do alto da torre da Catedral da Sé


Ainda no centro antigo está o Museu Municipal na Praça Afonso III, que funciona no antigo prédio do Convento de Nossa Senhora da Assunção, de 1540.

Praça Afonso III com o Museu Municipal ao fundo

Mais ao sul, junto a antiga muralha está o Largo do Castelo, mas o antigo Castelo de Faro hoje foi remodelado e funciona como uma fábrica de cervejas.

 
Antigo Castelo de Faro e atual fábrica de cervejas

O Arco do Descanso é uma das poucas construções mouras que ainda podem ser vistas na cidade e liga o centro antigo (Vila-a-Dentro) ao Largo de São Francisco, do lado de fora das muralhas, onde encontra-se a Igreja de São Francisco de Assis.

 
Arco do Descanso e parte da muralha moura

Uma das maiores atrações da região é o Parque Natural da Ria Formosa, que com 60 Km de extensão vai de faro a Cacela Velha e foi fundado para proteger a biodiversidade local. Diversas agências oferecem passeios turísticos entre as formações da Ria e suas lagoas e cavernas. Infelizmente não pudemos fazer o tour devido ao tempo ruim. Os barcos saem da Marina de faro, mas fomos informados que as condições marítimas não eram boas e a chuva nos espantou de vez...

 
Parque Natural da Ria Formosa
 


Faro, como toda cidade portuguesa, possui ótimas opções de restaurantes e eu que não costumo indicar lugares para comer abro aqui uma exceção, pois adoramos o “Sete Pedras Wine Bar e Restaurante” (Travessa dos Arcos, nº 7). Atendimento muito bom e ótima comida em um ambiente que nos leva a uma viagem no tempo.

 
Restaurante Sete Pedras
 



Tavira

O percurso entre Faro e Tavira é rapidamente feito de ônibus e a pequena cidade, as margens do Rio Gilão, pode ser visitada em pouco tempo, já que estivemos por lá em metade de um dia.

 
Tavira separada pelo Rio Gilão

A primeira atração na cidade é a antiga ponte romana que liga as duas margens do Rio Gilão. A ponte original datava do século III, mas foi substituída durante o império romano na península ibérica e remodelada ao longo de séculos até a atual.

 
Ponte romana de Tavira que liga as duas margens do Rio Gilão

Cruzando a ponte romana

Uma das marcas arquitetônicas da cidade é a construção de casas com telhados de quatro lados (fácil de ver os da Rua da Liberdade), pois os telhados em forma de pirâmides surgiram aqui para escoar as águas das tempestades do Algarve.

 
Casas com telhados quadrados

Algumas lojas para turistas estão espalhadas pela cidade e a bonita Praça Dr. Antônio Padinha guarda a Igreja de São Paulo ou Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, de 1606.

 
Igreja de São Paulo de 1606

A Praça da República guarda o prédio da Câmara Municipal de Tavira e é bem moderna com uma arquitetura que conta com espelhos de água e chafarizes.

 
Praça da República
 
Câmara Municipal de Tavira


A cidade que era uma das mais importantes na época do domínio mouro teve um grande declínio devido ao assoreamento do porto e agravado com uma epidemia de peste em 1645. Tavira hoje recebe turistas que vão em busca de sua aparência simples, igrejas históricas e bonitas mansões.

 
Ruas simples de Tavira


No Largo da Misericórdia está a igreja de mesmo nome que foi erguida entre 1541 e 1551. Com a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia ao centro, sobre a porta, ladeada pelas figuras de São Pedro e São Paulo, a igreja e é considerada a mais notável construção renascentista do Algarve. É uma das igrejas que fica aberta fora dos horários de missa e pode ser visitada, mas não se pode fotografar o interior...

Igreja da Misericórdia

Mais adiante está o antigo solar da família Corte-Real, ligada as explorações marítimas portuguesas, onde foram encontrados importantes vestígios arqueológicos dos séculos VIII a.c. a XVIII d.c. como uma muralha fenícia e estruturas habitacionais islâmicas em escavações que ainda são realizadas no local.

 
Escavações arqueológicas no Solar dos Corte-Real

Todos os caminhos, ladeira acima, levam ao castelo de Tavira e logo se está margeando as muralhas nas ruas ao redor. Diante da entrada do castelo encontramos a Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo no arruamento chamado de Calçada dos Sete Cavaleiros.

 
Fachada da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo

O nome vem de uma lenda local que data desde os tempos das guerras entre cristãos e mouros por estas terras. Segundo a lenda durante uma trégua sete cavaleiros cristãos foram emboscados e mortos pelos mouros nos arredores de Tavira. Em represaria os cristãos, liderados por Dom Paio Peres, desferiram um ataque tão forte contra a cidade que derrubaram suas defesas e a conquistaram.


Os corpos dos sete cavaleiros e do conquistador Dom Paio Peres estão enterrados na igreja, que foi erguida após a conquista sobre uma antiga mesquita moura. A torre do relógio da igreja é um dos marcos da cidade.

 
Igreja de Santa Maria do Castelo e sua torre do relógio

Para finalizar a visita não deixe de conhecer o Castelo de Tavira que fica no topo da colina no meio da cidade, no antigo bairro árabe.

 
Portão de entrada do Castelo Mourisco de Tavira


O antigo Castelo Mourisco está aberto a visitação e é composto apenas das muralhas e torres externas de onde se tem uma ao visão da cidade e suas construções. Da torre pode-se ver os telhados piramidais característicos de Tavira e a Igreja de Santiago entre as casas.

Torre do castelo

Tavira vista de cima
 
Telhados característicos de Tavira
 
Igreja de São Tiago vista do castelo


Caminhamos pela muralha e pelos jardins internos que ocupam agora todo o espaço do antigo castelo e que renderam belas imagens.

 
Jardins internos
 



Era o fim de nossa visita a Tavira e no fim do dia voltamos a Faro, junto com a chuva que a noite voltou para nos expulsar de vez do Algarve. Na manhã seguinte compramos a passagem de ônibus para Lisboa de onde tomaríamos o voo de volta ao Brasil. Antes ainda teríamos tempo para passear mais um pouco já que ganhamos esse dia não ficando no sul, mas isso é história para o próximo post...




Gastos para 2 pessoas em Março de 2015:

- Hostel (2 noites na Hospedaria São Filipe): € 27,00
- Catedral da Sé de Faro: € 6,00
- Almoço: € 22,75
- Passagens para Tavira (ida e volta): € 17,20
- Jantar: € 20,00
- Passagens para Lisboa: € 36,00

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