sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Machu Picchu


4º Dia no Peru (dia 4 do mochilão)

No dia 10 de março de 2014 acordamos as 4h30min da madrugada, pois iríamos subir a pé em direção as ruínas incas. Apesar de a menina da recepção ter dito que poderíamos tomar o desayuno no hostel antes de ir, confesso que até este momento eu estava incrédulo devido ao horário. Quando descemos as escadas para a área da recepção e salão de entrada nos deparamos com a mesa já posta e alguns mochileiros já comendo.


Águas Calientes estava fervilhando as 5h da manhã. Após comer saímos pelas ruas e víamos pessoas se movimentando em todos os lados. Existem duas maneiras de se chegar a Machu Picchu a partir da cidade: andando ou de ônibus.


Para subir de ônibus basta entrar na fila (que estava gigante as 5h15min da manhã) e pagar a passagem no valor de U$10,00 por pessoa (tudo lá é em dólar mesmo!!!). Esse valor é apenas a subida e caso vá descer de ônibus deve-se desembolsar mais U$10,00 por pessoa. O ônibus sobe a sinuosa estrada que liga Águas Calientes a Machu Picchu em 30 min e o passageiro não gasta nem 1 cm da sola do calçado.


Para subir caminhando deve-se seguir a estrada até a entrada do Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu e de lá subir uma escadaria cravada na montanha que cruza a estrada sinuosa diversas vezes e termina na entrada das ruínas no mesmo ponto de desembarque do ônibus. A subida varia de acordo com o ritmo de caminhada de cada um. Média de 1h30min todo o percurso.


Escolhemos subir andando e cruzamos a estrada até a ponte sobre o Rio Urubamba, na entrada do Parque Nacional, em apenas 30 min de caminhada. A lua ainda estava alta no céu, mas muitos mochileiros seguiam pelo caminho que margeia o rio com suas lanternas em mãos. Nós usávamos uma lanterna de cabeça para avançar pela madrugada. Na ponte existe uma guarita onde é verificado o boleto de entrada de Machu Picchu e os documentos (passaportes) dos mochileiros. Só prossegue quem já estiver com as entradas em mãos.



Início da subida ainda na madrugada

Depois de cruzar o rio Urubamba é só subir a escadaria. A noite estava fria, mas logo nos primeiros minutos já havíamos tirado os casacos. A subida vai nos aquecendo enquanto a noite vai dando lugar ao dia. Paramos algumas vezes para descansar e beber uma água e aproveitamos para registrar o nascer do dia no vale aos pés da montanha.

 
Subindo as escadas para Machu Picchu
 
Nascer do sol na trilha inca


Desde a ponte até a entrada de Machu Picchu subimos escadas por 1h. Existem alguns pontos com pequenas cabanas para descanso na subida. No trecho final já podemos avistar as ruínas no topo da montanha.

Parada para descanso na trilha

Machu Picchu a vista no topo da montanha

Eram 6h40min quando finalmente chegamos na entrada das ruínas. Havíamos contratado o guia pela agência e tínhamos a orientação de aguardá-lo neste ponto, onde ele iria nos encontrar as 7h. Sentamos e esperamos enquanto descansávamos da subida íngreme.

 
Fim da trilha: Mapa do percurso

O guia reuniu o grupo que o esperava e explicou que as ruínas encontram-se a 2350 metros acima do nível do mar (bem mais baixa que Cusco) e que a cidade permanece praticamente intacta, pois escapou de ser saqueada pelos espanhóis uma vez que já havia sido abandonada quando ocorreu a colonização. Não se sabe ao certo o motivo do abandono pelos incas, mas é certo que a cidade foi esquecida e invadida pela natureza, ficando oculta durante séculos em meio a mata no topo da montanha. No ano de 1911 o professor, historiador e arqueólogo norte-americano Hiram Bingham, que liderava uma expedição científica no Peru, finalmente encontrou as construções tomadas por raízes, galhos e folhas.




Eram 8h da manhã quando finalmente entramos no sítio arqueológico e avistamos pela primeira vez a impressionante Machu Pichhu. Demorei a perceber que realmente era real e que estava diante da vista clássica que já havia visto em fotos milhares de vezes.

 
Machu Picchu diante de nós

O guia explica que o nome da cidade é na verdade um mistério e que ela herdou o nome da montanha em que se encontra. Ao fundo compondo a paisagem está outra famosa montanha: Huayna Picchu. A verdadeira trilha inca chegava de Cusco pela encosta da montanha chegando até o portão de entrada da cidade, mais abaixo, para onde iríamos.

 
Impressionante!

Puxamos da mochila nossa inseparável bandeira brasileira e tiramos algumas fotos. No fim a bandeira fez sucesso e acabamos emprestando para outros brasileiros que estavam por perto e queriam umas fotos bem patriotas também :-)


Brasileiro sempre tem uma bandeira por perto... hehehe
Seguimos pela estrada original que marcava o fim da trilha inca até o pórtico de entrada, um grande espaço trapezoidal onde no passado estava a porta principal que incluía um mecanismo de fechamento interior.

 
Portão de entrada de Machu Picchu

Andávamos pelo complexo conhecendo a arquitetura inca, onde a maioria das portas e janelas tem forma trapezoidal e as paredes de muitas construções têm nichos internos.

 
Aline nas ruínas
 
Janelas trapezoidais

Arquitetura inca


Diante da Praça Sagrada está o Templo Principal, local de muitas cerimônias religiosas. A parede norte encontra-se em declínio, mas não se sabe o motivo. O guia diz que uma das explicações pode ser as raízes de árvores que haviam tomado o lugar durante os séculos em que a cidade ficou “perdida”, já que podem ter crescido junto as pedras, deslocando a base da construção.

 
Templo principal

Mais a frente encontra-se Intihuatana, um dos objetos mais estudados de Machu Picchu. Uma pedra que servia como calendário astronômico, indicando de forma precisa os solstícios e equinócios. O guia explica que o nome Intihuatana significa "onde se amarra o Sol", pois marcava os dias onde o sol estava mais tempo no céu.

 
Calendário astronômico Intihuatana: Onde se amarra o sol

A área agrícola possui terraços de cultivos que aparecem como grandes escadarias construídas sobre o terreno, terraços de menor largura se encontram na parte baixa de Machu Picchu, ao redor de toda a cidade. Sua função não era somente agrícola, mas também serviam como muros de contenção.

 
Terraços da cidade inca ao fundo
 

Os arredores da cidade

Área agrícola


Caminhamos pelo extremo limite da cidade de onde pode-se observar as montanhas e o vale de Urubamba com o rio de mesmo nome abaixo.


No limite da cidade

Vale de Urubamba
Nos deparamos com a curiosa Roca Sagrada um pedaço de pedra cravado no solo cujos contornos estão estranhamente alinhados com as montanhas a frente. O guia explica que a rocha era usada como altar para reverenciar os deuses da montanha Pumasillo (Garra do Puma) situada na cordilheira a frente, um pico ainda hoje reverenciado pelos povos andinos.

 
Rocha Sagrada que possui o contorno das montanhas

Mais a frente está o início da trilha para Huayna Picchu, a famosa montanha que compõe a paisagem da cidade inca. A subida até o topo de Huayna Picchu é permitida para apenas 400 pessoas por dia (em dois grupos de 200 visitantes por vez), mas deve-se comprar as entradas com o acesso antecipadamente. Recomendo a quem se interessar por subir, que procure uns três meses antes da viagem pelos ingressos, pois são disputadíssimos. Aline e eu gostaríamos de subir, mas compramos o pacote já em Cusco e não havia possibilidade da autorização de acesso a Huayna.

 
Início da trilha para Huayna Picchu

Circulamos por entre as casas de pedra e cruzamos a comprida praça principal. Construída sobre terraços em diferentes níveis, de acordo com o declive da montanha este lugar é o centro da cidade e foi usada para diversos fins na antiga sociedade inca.

 
Casas quase intactas
 
Praça principal





O guia nos conduz ao Templo do Condor, que é formado por uma gruta diante da qual encontra-se um maciço rochoso tendo a forma de um pássaro com as asas estendidas, mas acho que não tomei meu chá de coca forte o suficiente e portanto, não consegui visualizar a ave nas formas da rocha. O condor era um símbolo para a civilização inca e o guia explica que nesta área o reflexo da rocha, quando iluminada pelo sol, projeta a figura do pássaro no solo. A rocha, na verdade, tem as formas das asas, enquanto diante da rocha natural uma pedra trabalhada para se parecer com a cabeça da ave está disposta no solo. Este era o lugar de cerimônias religiosas envolvendo os mortos, uma vez que o Condor era o responsável por conduzir as almas incas. Na gruta atrás do templo eram preparadas as múmias durante as cerimônias religiosas.

 
Rocha do Condor
 
Cabeça do Condor

Templo do Condor


Os incas aproveitaram uma nascente em uma encosta para fazer um canal de 749 metros de extensão que abastecia a cidade. Existem diversas fontes importantes entre as construções e a mais importante está entre o Templo do Condor e o Templo do Sol.

 
Fonte com água correndo pela pedra

O Templo do Sol é a única construção redonda de Machu Picchu e tem duas janelas alinhadas com os pontos onde o sol nasce nos solstícios. Seu interior não é acessível aos turistas por motivos de preservação.
Templo do Sol com sua parede redonda
A edificação principal é conhecida como "Torreón" e era usada para cerimônias relacionadas com o sol. Uma de suas janelas mostra sinais de ornamentos incrustados que foram arrancados em algum momento da história.
Torreón: Templo do Sol


Detalhe da janela que mostra o espaço onde no passado existiram incrustações ornamentais (provavelmente de ouro)
O Torreón está construído sobre uma grande rocha sob a qual há uma pequena cova. O guia explica que o local foi, provavelmente, um mausoléu.

 
Cova sob o Torreón

Ao lado do templo do Sol está uma cabana conhecida como Palácio da Princesa, onde o city tour guiado termina e o guia se despede após 3h de explicações pela cidade inca. Seríamos deixados livres para explorar a cidade a vontade.

 
Vista do interior do Palácio da Princesa

Circulamos pelas ruínas e visitamos as casas comuns com os telhados reformados com sapé, supostamente similar ao original antes do abandono. Toda a arquitetura possui características antissísmicas (inclinação adequada e pedras pequenas em meio a grandes).

 
Casas com telhados reformados
 
Aline se sentindo em casa... rs

Interior das casas


Inesquecível a paisagem das ruínas em meio as montanhas andinas
  


Exploramos a engenhosa arquitetura inca por mais uma hora até que notamos nuvens negras aparecendo por cima das montanhas a frente. Até este momento os dias na região de Cusco sempre foram ensolarados, apesar do ar frio algumas vezes. Estávamos viajando em Março, que é conhecido por ser um mês chuvoso, mas estávamos com sorte até este ponto.

 
Arquitetura inca
 
Explorando Machu Picchu


Inicialmente havíamos pensado em ficar todo o dia em Machu Picchu e apenas descer das ruínas para tomar o trem (nossas passagens estavam marcadas para as 19h). Mas o tempo estava fechando rápido e resolvemos descer antes da chuva chegar, pois iríamos voltar pela mesma trilha que usamos para subir. Voltamos na direção da portaria e aproveitamos para tirar uma última foto com o famoso cenário inca ao fundo.

 
Descendo: Hora de ir embora
 
Última foto já no caminho da saída


Porém, antes de sair havia algo que eu precisava muito fazer: Carimbar o passaporte! O carimbo fica a disposição a partir das 9h da manhã próximo a entrada do sítio arqueológico. É de graça e você mesmo carimba seu passaporte, comprovando que esteve lá. Aline e eu garantimos o registro e com isso fechamos nossa sonhada visita.



Passaporte devidamente carimbado!

Eram 13h da tarde quando iniciamos a descida com as nuvens negras se formando acima de nossas cabeças. Descemos as escadas na encosta da montanha bem rápido e mesmo com paradas para descanso, estávamos na ponte sobre o Rio Urubamba antes das 14h.

Ponte sobre o Rio Urubamba

Rio Urubamba

Foi aí que a chuva nos alcançou. Puxamos as capas de chuva do fundo das mochilas e seguimos o trecho de 30 min até Águas Calientes sob uma chuva forte de verão.

 
Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo

A chuva durou puco (nesse primeiro momento) e quando chegamos a Praça de Armas já não mais chovia. Eram 14h30min e nosso trem só partia para Ollantaytambo as 19h, pois havíamos imaginado que iríamos passar o dia lá em cima nas ruínas.



Praça de Armas de Águas Calientes


Decidi conhecer a cidade e entrei no Centro de Informações Turísticas que existe na praça. A atendente informou que o único ponto turístico existente são as famosas águas termais que dão nome ao lugar e ficam no fim da rua principal. Um conjunto de piscinas com diferentes temperaturas de águas quentes e toda uma estrutura para receber os turistas. Infelizmente a chuva voltava com força total, extinguindo qualquer chance de um banho de piscina.


Raios, trovões e muita chuva. Uma sensação de que fizemos a coisa certa ao descer cedo das ruínas foi inevitável. Peguei um mapa da cidade com a atendente e nele havia uma feira de artesanato e um Centro Cultural, mas a menina nos informa que não há exposição por lá e que não há nada de turístico no povoado. Era sentar e esperar a chuva passar novamente...


Resolvemos ir comer alguma coisa e olhei pelos arredores da praça mesmo. Mais a frente do Centro de Informações havia um “Café”, então demos uma corrida na chuva e entramos no “Café com Pisco”.

 

Foi um dos melhores lugares que comemos no Peru. O nome é uma alusão ao “Pisco” uma bebida muito conhecida no Peru e Chile, mas o nome “Café com Pisco” se refere a um dócil cão da raça Pelado Peruano chamado Pisco que habita o lugar. Para quem não tem problemas com animais, super recomendamos o “Café”. O lugar é ótimo, o dono mega amigável e a comida uma maravilha. Sentamos e pedimos crepe salgado com um chocolate quente para beber e aproveitamos o Wi-Fii enquanto a chuva caía lá fora.

Café com Pisco

O simpático Pisco

Ficamos praticamente a tarde toda na cafeteria com o Pisco. Comemos uma deliciosa torta de sobremesa e descansamos deixando o tempo passar um pouco até a chuva cessar de vez.

 
Ótima comida e atendimento

Quando a chuva se foi aproveitamos para dar uma volta por Águas Calientes, cujo nome real é Machu Picchu Pueblo. A Igreja Matriz na praça estava fechada e no Centro Cultural realmente não tinha nada.

 
Igreja Matriz de Águas Calientes
 
Centro Cultural: Vazio


De dia a cidade é mais amigável, apesar de quase não se ver casas de moradores. Achei bem interessante o monumento que adorna o chafariz na descida da praça em direção a rua do rio.

 
Chafariz
 
Detalhe da escultura: O inca, o condor, o puma e a serpente


Circulamos um pouco e com o reinício da chuva nos refugiamos na feira de artesanato local, que é totalmente coberta. Mas admito que já não aguentava mais ver artesanato peruano...

 
Águas Calientes

Esperando a hora de ir embora


Eram quase 19h e seguimos para a estação de trem. Embarcamos no trem turístico da Perú Rail novamente. Nos sentamos nas cadeiras diante da pequena mesa do vagão diante de duas meninas brasileiras (esse trem é ótimo para fazer amizades). Assim conhecemos a Lígia e a Juliana, duas mineiras super gente boas. A viagem passou rápida durante nosso papo. No fim descemos em Ollantaytambo trocando contatos e prometendo nos encontrar em Cusco no dia seguinte. A agência havia reservado uma van para o translado da estação de volta ao hostel em Cusco.


A viagem entre Ollantaytambo e Cusco é demorada e o motorista corria feito um louco no meio da noite escura. Eu tentava dormir e ignorar as curvas fechadas e freadas na estrada, mas estava bem difícil. No fim chegamos no Hostel Villa San Blas onde estavam nossas mochilas guardadas e o quarto reservado para a noite.


Gastos para 2 pessoas em 10/03/2014:

- Água: S./ 3,50
- Almoço: S./ 49,00
*Lembrando que havíamos pago o pacote todo no primeiro dia em Cusco (na época U$50,00 para entrar nas ruínas e mais algo perto desse valor em cada passagem de trem - por pessoa! Aff...)