segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Arica


1º Dia no Chile (dia 9 do mochilão – parte 2)

Depois de encarar um ônibus empoeirado e repleto de moscas finalmente desembarcamos em Arica, a cidade mais ao norte no Chile, por volta de meio dia. Ainda na rodoviária fizemos a troca de alguns dólares por moeda local, já que o único dinheiro que tínhamos era o que havíamos trocado pelas últimas moedas peruanas em Tacna. Aproveitamos para comprar as passagens para São Pedro do Atacama, para onde iríamos no dia seguinte a noite. Um pequeno balcão de informações nos rendeu um mapa da cidade.

Na saída da rodoviária fomos cercados por taxistas nos oferecendo uma corrida para o centro, mas analisando o mapa percebemos que era possível ir andando e economizar no taxi.

Caminhamos por aproximadamente 2 Km e chegamos no Parque Carlos Ibanez, um grande calçadão do tipo “passeio” muito bem cuidado e que cruza grandes quarteirões da cidade, chegando até o Porto de Arica. Paramos para analisar o mapa e descobrir em que altura tínhamos que sair do calçadão em direção ao centro.

  
Aline analisando o mapa de Arica no Parque Carlos Ibanez

Uma pequena exposição conta um pouco da história que o parque homenageia, com algumas fotos históricas. Em 1958 o presidente Carlos Ibáñez del Campo promove a criação de uma junta para alavancar a economia da cidade e decreta a criação do Porto Livre e do plano de industrialização. Os resultados deste período ainda se podem ver na cidade, em grandes obras de engenharia e um bonito planejamento da cidade.

Fotos e histórias na praça
Seguimos em direção ao centro enquanto procurávamos uma hospedagem, pois não tínhamos noção de onde ficar. Uma das primeiras paradas foi no Hostel Athenas (Calle Colon, 678), um lugar que parecia uma pensão com quartos humildes que tem janelas abrindo para o corredor. O preço era próximo ao que procurávamos e como só teríamos meio dia para conhecer a cidade e uma noite apenas no lugar, decidimos ficar por ali mesmo e não perder mais tempo procurando. Um banho e voltamos para rua.

Chegando no Chile

Arica é uma cidade em meio ao deserto, apesar de ser costeira, coisa muito comum no norte do Chile já que o Atacama se estende até o mar. O centro da cidade é bem bonito, possuindo um passeio cercado de lojas e restaurantes. Queríamos conhecer a cidade e não perder tempo comendo, por isso lanchamos rapidamente no Mac Donald’s ao lado do centro de informações turísticas em pleno calçadão do passeio central.

 
Passeio público com lojas e restaurantes

Seguimos adiante e chegamos a antiga ferrovia Arica-La Paz. A cidade se ergueu durante a época da exploração da prata de Potossi (na Bolívia) e era a principal rota para escoar a produção para o mar, mas a ferrovia só chegou em Arica no ano de 1855. Nesta época Arica pertencia ao Peru, condição alterada durante a Guerra do Pacífico em 1879 quando a cidade foi tomada pelo Chile, e os trens só transitavam dentro do território nacional indo até Tacna, onde havíamos conhecido a histórica locomotiva nº 3.

 
Ferrovia Arica - La Paz

O prédio da centenária estação de trem sedia um museu ferroviário nos dias de hoje. Construído em 1906, funcionava como terminal da linha entre Arica e La Paz, hoje desativada, mas que no passado era a segunda maior ferrovia do mundo, pois percorria 475 Km por altitudes acima de 4200 metros.

 
Antiga estação ferroviária e atual museu

Diante do Museo Ferrocarriles encontra-se uma praça com um chafariz e a vista do famoso Morro de Arica a frente.

 
Morro de Arica ao fundo

No local encontra-se também o histórico prédio da antiga Aduana da Ferrocarril, que hoje funciona como Casa de Cultura. Construída na França e montada em Arica no ano de 1874, quando a cidade pertencia ao Peru, exibe uma fachada com faixas rosadas e brancas. Não estava aberta a visitação no momento em que estávamos lá.

 
Aline diante do antigo prédio da Aduana da Ferrocarril de Arica

Compondo a paisagem diante da antiga Aduana e interligando a Plaza Vicuña Macknna está um tipo de “piscina” que funciona como chafariz e é cercada por palmeiras que estavam podadas tirando um pouco a beleza da paisagem.

Praça Vicuña Macknna

Deste ponto em direção ao mar está o Porto de Arica, que fica diante do centro da cidade e acaba completamente com a costa que poderia ser “praiana”. Na direção oposta está a Plaza de Armas de Arica.


Seguimos para a Praça de Armas onde encontra-se a linda Catedral de São Marcos, mas que é chamada nos dias de hoje de Plaza Colón, em homenagem a Cristóvão Colombo, exibindo um busto do navegador em sua extremidade norte.

Busto de Cristóvão Colombo

A praça é bem bonita e arborizada, possuindo um chafariz em meio aos bem cuidados jardins e palmeiras.

 
Plaza Colón

A Catedral de São Marcos foi pré-fabricada em estrutura metálica no ano de 1875 na França pelo famoso engenheiro Gustave Eiffel, o mesmo responsável pelo chafariz de Tacna e pela Aduana de Arica. A igreja foi montada na praça no ano seguinte a sua construção, se destacando na paisagem com sua fachada em estilo neogótico. Infelizmente estava fechada e não pudemos visitar o interior que é conhecido pela sua beleza arquitetônica.

 
Catedral de San Marcos

Seguimos caminhando na direção do mar pela costa rochosa. Arica possui quatro praias principais, estando duas de cada lado do Porto. As praias de La Mancha e Chinchorro estão a 4 Km do centro na direção leste, enquanto a Playa La Lisera está a 2 Km para oeste. A praia mais próxima é a de El Laucho que fica a 1 Km do porto diante da Plaza Colón.

 
Costa rochosa de Arica

Caminhamos até a ex-ilha de Alacran, que tem esse nome por se tratar de uma antiga ilha que foi ligada ao continente por uma estrada de terra. Um grande farol é usado para orientar os navegantes. Tiramos algumas fotos e resolvemos voltar ao centro, pois depois de Aline molhar os pés nas extremamente geladas águas do Pacífico decidimos que não haveria tempo para um banho de mar, portanto não adiantaria caminhar até a praia a 1 Km de distância.

 
Farol de Alacran

Cruzamos a pista diante da orla e encontramos a Praça do Surf, uma pequena praça com um muro colorido diante da costa com uma grande prancha de surf como monumento principal.

 
Aline entrando no clima da Praça do Surf

De volta ao centro da cidade notamos que as ruas possuem placas e sirenes de alerta contra Tsunamis. Não estamos acostumados com esse tipo de risco, mas em Arica as ondas gigantes são uma preocupação quase diária, pois a região é muito afetada por terremotos e muitos deles ocorrem no mar e produzem os tsunamis. A cidade já foi arrasada no passado por ondas de até, incríveis, 10 metros de altura!!!! As placas são fixadas nas áreas de risco e uma zona considerada segura na linha mais alta da cidade é demarcada por placas que apontam para onde a população deve seguir no caso de um alerta de Tsunami.

 
Para nosso desespero!

Preocupados seguimos na direção da parte alta da cidade. Passamos pelo passeio de pedestres ao lado da Praça de Armas e pelo bonito prédio da municipalidade de Arica.

 
Prefeitura de Arica

Nosso destino era o famoso e histórico Morro de Arica que com 110 metros de altitude se debruça sobre a cidade.

 
Morro de Arica

O acesso ao morro se dá por uma subida no fim da Calle Colón, onde estávamos hospedados. Um pequeno caminho de pedestres em meio a muita poeira nos conduz morro acima. No meio do caminho uma parada no Mirador de La Virgen Del Carmen, um pequeno mirante diante de um monumento dedicado a Virgem Maria.

Mirador de la Virgen del Carmen

Depois de uma parada para descanso no mirante continuamos a caminhada sempre para acima e finalmente chegamos ao topo de onde se tem uma vista privilegiada da cidade.

 
Topo do Morro: Sol forte e dia quente

No topo uma gigantesca bandeira chilena marca o lugar em meio a canhões e trincheiras que foram usadas durante a Guerra do Pacífico entre os anos de 1879 e 1883.

 
Uma cidade no deserto
 
Lembranças da guerra


Trincheira



Em 1999 foi construído no topo do morro El Cristo de la Paz, uma estátua de Cristo, que leva a bandeira do Peru e do Chile, com intuito de comemorar a paz entre os 2 países.

Imagem de Cristo feita em bronze com 10 metros de altura

Outro monumento construído no topo do morro é em homenagem aos soldados desconhecidos mortos na Guerra do Pacífico.

 
Monumento ao soldado desconhecido

Do alto pudemos ver a praia de El Laucho em uma pequena baía na orla. As paisagens vistas do Morro de Arica são muito bonitas e demonstram o encontro do deserto com o mar.

 
Playa Del Laucho vista de cima

Arica vista de cima


Para lembrar o episódio mais importante da cidade que foi a Batalha Naval de Arica que terminou com a tomada do morro e da cidade pelas tropas chilenas, foi construído o Museu Histórico de Armas em uma área pertencente as forças militares chilenas em uma região privilegiada do Morro de Arica.

 
Museu Histórico de Armas
 
Maquete do museu



Armas e canhões utilizados durante a Guerra do Pacífico estão em exposição e quadros contam a história do dia 07 de junho de 1880, quando as tropas chilenas atacaram as fortalezas peruanas e ganharam a posse da cidade em um episódio que ficou conhecido como Batalha de Arica ou Assalto e Tomada do Morro de Arica.

 
Metralhadora em esposição
 
Canhão de guerra


Armas expostas no museu


Canhão exposto no Museu de Armas



Ficamos um bom tempo no topo do morro. Muitas pessoas ficam ali esperando o pôr-do-sol que no Mar do Pacífico é bem mais tarde do que estamos acostumados nas praias do Atlântico. Nós resolvemos não esperar, pois tínhamos que procurar uma agência para o passeio do Parque Lauca que queríamos fazer no dia seguinte.

 
Fim de tarde no Morro de Arica diante do Porto

Do alto pudemos ver a ex-ilha de Alacran ligada ao continente por uma grande faixa de aterro em meio a luz de fim de tarde do sol refletida na água. Linda a cena.

 
Ex-Ilha Alacran

Voltamos ao centro da cidade e encontramos a agência “Turismo Lauca” com pacotes para o passeio de um dia pelo Parque Nacional Lauca no extremo norte do país, já na divisa com Peru e Bolívia. Fechamos o pacote para o dia seguinte.


Voltamos ao hostel bem cansados do dia. Nossa intenção era tomar um banho, descansar um pouco e sair para jantar, já que não havíamos conseguido comer de manhã cedo em Tacna e apenas comemos um lanche rápido na hora do almoço para ganhar tempo. A janta seria nossa única refeição no dia, mas estávamos tão cansados que nosso descanso virou um sono pesado e acabamos dormindo a noite toda praticamente em jejum e não conhecemos os encantos noturnos de Arica.


Assim terminou nosso meio dia na cidade. Infelizmente não foi possível conhecer todos os pontos turísticos em tão pouco tempo, mas aconselho, a quem lá for, visitar o Valle Azapa, a 10 Km do centro da cidade onde encontra-se o famoso Museu Arqueológico de Azapa que não visitamos e os Geoglifos de Azapa que iríamos ver apenas pela janela do ônibus no caminho para o Parque Lauca no dia seguinte.


Gastos para 2 pessoas em meio dia de 15/03/2014 (fim do dia que começou em Tacna):

- Passagens para San Pedro de Atacama: $ 26.000,00 pesos
- Hostel Athenas: $ 16.000,00 pesos
- Almoço e sorvete no Mac Donald’s: $ 7.200,00 pesos
- Água: $ 700,00 pesos

Câmbio em Arica: U$ 1,00 = $ 570,00 pesos

2 comentários:

  1. Um amigo motoqueiro com estilo southern american easy rider me disse que foi à missa numa Igreja toda de estrutura metálica na cidade de Arica no Chile. Nós 2 frequentamos Igreja e eu então fui conferir a coisa. Eu mandei-lhe uma cartinha com uma foto da Catedral de São Marcos (a própria do eng.º Eiffel) onde eu o lembrava que este ano 2018 é liturgicamente o ano B Marcos e frisei-lhe que quem não tem fé vê coincidência em tudo. Anexei-lhe uma outra imagem vizinha onde escrevi que Arica é uma cidade como que visitada pelos últimos contrafortes do Andes que desceram do alto da Cordilheira e se estenderam até às margens do Pacífico num gesto de amizade e proteção à querida cidade...:)

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    1. A igreja de Arica é linda, infelizmente não pudemos ver por dentro já que estava fechada no dia em que estivemos por lá...

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