domingo, 8 de junho de 2014

Deserto de Dalí

6º Dia na Bolívia

Acordamos as 4h30min da madrugada. O guia havia explicado que era necessário sair antes das 6h para chegar aos geisers a tempo, pois só é possível vê-los bem antes de o sol esquentar o ar, já que a diferença de temperatura é que faz com que se forme o vapor que eles exalam. O desayuno foi servido comigo ainda acordando. O amanhecer estava realmente frio, fomos informados que a temperatura havia atingido -5ºC durante a noite (isso porque estávamos no verão) e até escovar os dentes era difícil, pois a água parecia congelar as mãos e boca. Fiquei pensando como deve ser no inverno quando a temperatura pode chegar a -20ºC. Hora de lançar a mochila no bagageiro, e dessa vez o casaco e gorro já estavam vestidos.


O frio amanhecer do deserto

A região dos Geisers Sol de Mañana é realmente impressionante. É como olhar para dentro do planeta e imaginar como se deu a formação da terra com os vulcões e tudo o mais. Na verdade não são geisers e sim fumarolas, pois não expelem líquidos e sim apenas fumaça de vapor d’água. O cheiro de enxofre toma todo o lugar. O dia havia acabado de amanhecer e os turistas iam chegando em vários carros pelo deserto. Estava extremamente frio, e ao contrário do que eu imaginava o vapor das entranhas da terra não aqueciam em nada o ar ao redor. Não existe nenhuma restrição para caminhar ao redor das grandes aberturas no solo, mas nosso guia avisa que devemos ter cuidado, pois o chão pode abrir-se sob nossos pés e nos engolir, já que são formados pela erosão dos cursos subterrâneos da água aquecida na região vulcânica.

 
Geisers Sol de Mañana
 

Buraco de fumarola no solo


Depois de quase 1 hora na região dos geisers nos dirigimos às Aguas Termales, nossa próxima parada. Eu não entrei nas Águas Termais, pois não havia levado roupa de banho e minha toalha estava na mochila em cima do carro, inacessível. Além disso, não sei se teria coragem de tirar a roupa naquele frio da manhã, mesmo sabendo que as águas tinham temperatura próxima a 30°C, pois teria que sair de lá e encarar o vento gelado depois. No nosso grupo apenas uma das meninas teve a coragem de mergulhar. Molhei os pés e as mãos nas águas quentes que vinham das entranhas da Terra.

 
Laguna de águas termais
 

Águas quentes no frio do deserto


Depois das águas termais nos dirigimos para o Deserto de Dalí, onde fizemos uma parada na Laguna Verde, aos pés do famoso vulcão Licancabur que faz divisa com o Chile. Ao contrário de outras lagoas do altiplano, não há vida nesta laguna. Ela é um poço de arsênico e cobre e, por isso, é estéril e possui a exuberante cor esmeralda. Sua cor varia com o tempo e é mais forte em outras épocas do ano, neste dia não tinha quase nada de verde nela. Ao lado dela encontra-se a Laguna Blanca, outro impressionante exemplo de beleza.

 
Deserto de Salvador Dali
 

Laguna refletindo a paisagem


Margem da Laguna Blanca

Após as paradas nas lagunas nos dirigimos à região de fronteira Bolívia-Chile. Neste ponto do deserto fica a Imigração Boliviana em uma casa bem pequena e perdida em meio as areias. Neste ponto o movimento de pessoas e vans é intenso, pois é a saída da região de Sur Lipez em direção a San Pedro de Atacama. Muitos mochileiros aguardavam para o transfer para o Chile. Este era o ponto onde nos despediríamos da Mariana e da Benedita, que iriam atravessar a fronteira. Eu, Leo e os franceses voltaríamos em uma viagem de 8h de carro com 3 paradas apenas.

 
Fronteira Bolívia-Chile

Nos despedimos das nossas novas amigas já com saudades, afinal havíamos passado 3 dias juntos e não sabíamos se nos veríamos novamente algum dia. Trocamos contatos de redes sociais e ajudamos a descer as mochilas do teto do 4x4. Depois foi esperar as duas carimbarem os passaportes e acenar para um último adeus enquanto elas embarcavam na van para o Chile e nós voltávamos ao carro, agora com mais espaço, para nossa jornada de volta a Uyuni.

 
Cruzando o deserto de Salvador Dali

A primeira parada da volta foi nas Rochas de Salvador Dali. Uma homenagem ao pintor, que nunca esteve por lá, mas dá nome ao local (e ao deserto) devido à imagem surrealista dos seus quadros, similar à paisagem. Aproveitamos para caminhar um pouco e tirar fotos entre as rochas esculpidas pelo vento.

 
Las Rocas de Dalí
 

Paisagem Surrealista


Rochas esculpidas pelo vento no deserto de Salvador Dalí


A segunda parada foi em um mercadinho e restaurante, próximo a um vilarejo, no meio do nada ainda no Deserto de Dalí para o almoço. Pagamos Bs$ 2,00 para usar o banheiro (sem comentários sobre as condições de higiene do lugar, teria sido mais higiênico usar uma moita no deserto). A comida estava horrível – atum frio direto da lata e quinoa. Sorte nossa que ainda havia sobrado alguma coisa das compras que havíamos feito antes de entrar no salar e decidimos almoçar tudo que havia sobrado dos mantimentos. Depois foram mais 4h dentro do 4x4, cruzando o deserto andino.
Cores do deserto


Paisagens andinas


Oasis no Deserto de Dalí
A última parada em uma cidadezinha a algumas poucas horas de Uyuni. Foram 20 min para o motorista esticar as pernas e a coluna, beber uma água e usar o banheiro. Aproveitamos para uma caminhada pela rua para o sangue circular um pouco, depois voltamos ao veículo imaginando que só pararíamos em Uyuni. Não foi bem assim. A alguns poucos quilômetros de distância do nosso destino avistamos um carro de outra agência parado na estrada com o pneu furado. O motorista estava com dificuldades para efetuar a troca, então paramos para ajudar. Paramos no meio da estrada desértica enquanto os dois guias tentavam trocar o pneu. O carro com o problema não tinha uma chave de roda e precisou pegar emprestado no nosso. Notei como o tour depende muito do motorista, e fiquei pensando o que faz o guia sair de Uyuni para três dias no deserto sem uma chave de roda (!?), sorte dele que paramos para ajudar. Alguns veículos cruzaram a estrada em alta velocidade jogando terra e poeira em cima de nós. Na verdade o carro todo era terra por dentro a essa altura, e não tinha como não estar coberto de poeira do deserto depois desses dias todos. Tudo que eu queria era chegar em um hostel qualquer e tomar um banho para descansar. Ao todo ficamos uns 30 min parados comendo poeira na estrada. Ao longe nuvens pesadas e negras cuspiam raios e relâmpagos nas montanhas.



Foram 8h cruzando o deserto até o retorno a Uyuni


Parada não programada para ajudar na troca de pneus de outro carro
Chegamos a Uyuni por volta das 17h. Nos despedimos do casal de franceses e de nosso guia e nos dirigimos ao terminal de ônibus, pois teríamos que fazer todo o caminho de volta a partir deste ponto. Compramos uma passagem e embarcamos para Potosí as 18h30min. A viagem foi tranquila, mas estávamos cansados de ficar sentados em um veículo. Chegamos por volta de 22h. Nossa intenção era dormir em Potosí e embarcar na manhã seguinte para Sucre, no entanto, havia um ônibus partindo para Sucre em 30 min. Mesmo cansados de viagem decidimos continuar na saga da volta e embarcamos neste ônibus. Foram um pouco mais de 4h de viagem a partir deste ponto.


Gastos - 25.03.2013

Refeição - Bs$ 36,00
Banheiro - Bs$ 2,00
Onibus para potosi - Bs$ 25,00
Onibus para sucre - Bs$ 20,00


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