terça-feira, 20 de setembro de 2016

Brumadinho/MG

Brumadinho é uma pequena cidade em Minas Gerais que cresceu ao lado de Belo Horizonte, mas que começou a aparecer no mapa com o surgimento do Instituto Inhotim, um grande museu de arte contemporânea, mas estando cravado entre a Serra do Rola Moça e a Serra da Moeda, Brumadinho possui distritos e atrações que podem ir além do famoso museu.


Como Chegar

Brumadinho está a apenas 65 Km de distância de Belo Horizonte e pode ser acessado pelas rodovias Fernão Dias (BR-381) e BR-040. Para quem vai pela primeira basta pegar a saída 501 para Mário Campos, virando a direita em um posto de gasolina BR a estrada te levará até o centro de Brumadinho. Quem vai pela BR-040 deve seguir no sentido BH-RJ e pegar a saída 567 para Inhotim. Atenção, pois existe a possibilidade de pegar a saída 565 para Piedade do Paraopeba, mas neste caso fique atento na saída que é meio escondida por ter o trecho de 10 metros entre a BR e a estrada secundária de terra, depois disso a estrada é asfaltada (apesar de não ser muito boa).


Serra da Moeda

Indico seguir pela saída 567 da BR-040 (sentido RJ), pois a estrada sobe a Serra da Moeda e em poucos quilômetros te leva até o “Topo do Mundo”.

Topo do Mundo: Restaurante e pista de parapente

O Topo do Mundo é um restaurante instalado no topo da Serra da Moeda ao lado de uma rampa de voo livre. O lugar é bem concorrido, principalmente no fim do dia onde o pôr do sol é um espetáculo no lugar.

Restaurante com uma linda vista no topo do mirante

O lugar é bem distante de Brumadinho (aproximadamente 35 Km) e quem esperar o fim do dia no mirante vai encontrar uma estrada bem ruim em meio a noite até o centro de Brumadinho (neste caso vale a hospedagem em Piedade do Paraopeba, que é mais pertinho do mirante).

Paisagem no mirante Topo do Mundo

Só fique atento com os dias e horários, pois nas segundas feiras o restaurante não abre e aos domingos fecha as 19h.


Fazenda dos Martins

Seguimos pela via alternativa e tomamos a estrada de terra para conhecer uma das construções mais antigas da região.


A Fazenda dos Martins foi construída no século XVIII e a história da visitação deste lugar é meio confusa, pois a fazenda foi tombada pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais desde o ano de 1977, mas só em 2012 foi feito um acordo para que os donos abrissem a visitação turística.

Fazenda dos Martins

Por fora o casarão é de alvenaria e pedra, por dentro paredes de pau a pique separam os cômodos, mas não entramos para conhecer. Nos foi indicado que os moradores habitam a casa e que poderíamos bater a porta e pedir para conhecer, mas ao chegar lá encontramos a placa turística com o nome do lugar tapada com um saco preto e deduzimos que talvez não quisessem receber visitas... pode ser que sim ou que não, mas nunca saberei, apenas visitamos as áreas externas do casarão.

Casarão histórico da fazenda

O casarão já foi a Casa Grande da Senzala de uma época em que a escravidão dominava a região. A região de Brumadinho é repleta de Comunidades Quilombolas e muitas se devem a esta fazenda. Atrás do casarão, no pátio cercado por um muro de pedras, está o que restou da antiga senzala: O chão de pedras.

 
Pátio de pedras da antiga senzala
Seguimos pelas estradas de terra que levam até as comunidades quilombolas da região e seguimos em direção a Piedade do Paraopeba.

Percorremos as estradas de terra que cruzam fazendas e Comunidades Quilombolas de Brumadinho

Piedade do Paraopeba

Este é um dos municípios mais antigos de Minas Gerais e muita gente que vai a Inhotim escolhe este lugar como estadia, já que por aqui existem mais opções de hospedagem e restaurantes do que em Brumadinho, além da proximidade com o Topo do Mundo.

Chegando a Piedade do Paraopeba

Entre os pontos interessantes do lugarejo estão as igrejas de Nossa Senhora da Piedade e de Nossa Senhora do Rosário, datada de 1729.

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Altar da igreja

Igreja do Rosário construída para uso dos escravos da região

Uma das atrações pouco conhecidas do lugar é a Cachoeira do Carrapato que fica bem pertinho da praça da igreja. Para se chegar até ela é só descer pela rua que está quase diante da Igreja da Piedade (diante da quina do muro da igreja do outro lado da rua da frente), virando a direita após a ponte sobre o córrego. Caminhe até o final da rua e ao cruzar a segunda ponte tome a esquerda, a rua te levará ao início da trilha.

Cachoeira do Carrapato

A trilha que margeia o córrego é bem demarcada e curta, logo você estará na cachoeira. Disseram que o nome da queda d’água é por conta do pasto que existia antigamente no local, mas a verdade é que no dia seguinte encontrei alguns pequenos (minúsculos) carrapatos em mim, portanto vale ficar atento.

Cachoeira bem no centro de Piedade do Paraopeba: Fácil acesso

A Cachoeira do Carrapato é uma boa queda e com um bom poço para banho (raso) em uma clareira que permite a entrada de luz solar. Apesar dos carrapatos que dão nome ao lugar (e eu não tenho certeza que os que estavam em mim foram dali...) vale conhecer, pois é de muito fácil acesso, mesmo não tendo placas de sinalização. São 10 minutos de caminhada da Igreja Matriz até ela, na dúvida pergunte a um transeunte, pois todos por lá a conhecem e te indicarão o caminho facilmente.

Trilha curta até a queda d'água

Brumadinho

Seguindo por uma estrada em péssimo estado chegamos a Brumadinho. Admito que achei que o lugar fosse menor, mas encontrei uma cidadezinha bem estruturada, com bares, mercados e um grande e imponente Teatro Municipal.

Teatro Municipal de Brumadinho

Nos hospedamos no Hostel 70 VIP (são duas sedes deste hostel, uma apenas com quartos compartilhados no centro da cidade e outra, a VIP, em uma casa com quartos privados).

Hostel 70 VIP

A unidade foi montada em uma casa e não conta com portaria o tempo todo, o que nos deixou na rua quando chegamos, achei um pouco mal estruturado nesse sentido. O lugar não é ruim e tem uma boa atmosfera, meio hippie, mas uma casa com quatro quartos e apenas um banheiro não é bem o que costumo ver em hostels, acho que o lugar merecia uma adaptação para ficar perfeito, mas é uma boa opção para quem quer um quarto privativo a um bom preço. A unidade no centro com quartos compartilhados parece bem melhor administrada.

Hostel 70


Resolvemos dar uma volta na cidade para ver o que ela oferecia e não encontramos muita coisa. No centro encontramos um posto de informações turísticas na Casa de Cultura Carmita Passos.

Casa de Cultura e Centro de Informações Turísticas

As informações que nos deram eram de algumas atrações nos arredores, como a Fazenda dos Martins e o Topo do Mundo (nada que já não soubéssemos), acho que ainda precisam evoluir muito em Brumadinho para receber pessoas. A própria casa de cultura não apresenta muita coisa, tendo uma pequena exposição sobre a cidade e uma réplica do casarão dos Martins.

Centro de cultura com pouca coisa para ver

Maquete da Casa da Fazenda dos Martins

No centro da cidade está a Igreja Matriz de São Sebastião, uma construção relativamente nova já que é do século XX.

Igreja Matriz de São Sebastião

A única construção histórica que encontramos por lá foi a Estação Ferroviária que foi inaugurada no ano de 1917, o mesmo de fundação da cidade.

Estação Ferroviária de Brumadinho

Passamos duas noites por lá e descobrimos que se de dia não há muito o que fazer na cidade, a noite não é diferente! Poucas opções de lugares para sair e comer e todas fechando cedo... Em uma grande praça na rua do Hostel encontramos o Bar do Jessinho e adoramos o lugar, na verdade um boteco de rua frequentado pelos locais apenas, um típico lugar que vale a pena parar quando se está mochilando... rs

Nada de gastronomia sofisticada... rs

Outra boa opção é jantar no Hotel Nossa Fazendinha, que serve uma pizza bem boa. Na nossa segunda noite por lá uma grande coincidência fez que eu encontrasse uma amiga de faculdade que nos indicou o lugar, aproveitamos para nos rever e conhecer a pizzaria. O hotel fica um pouco antes da entrada de Brumadinho na estrada que liga o lugar a Belo Horizonte, a poucos quilômetros do centro.

Restaurante do Hotel Nossa Fazenda: Encontrando amigos

Instituto Inhotim

Independente de encontrar outras atrações pela região, todos os visitantes de Brumadinho vão até lá para conhecer o famoso Museu de Inhotim.

Inhotim

Inhotim é um dos maiores museus de arte contemporânea ao ar livre do mundo e recebe mais de 150 mil turistas por ano.

Aline diante da obra Narcissus Gardem

Em uma das salas de exposições do grande museu

Normalmente recomendam no mínimo dois dias para se percorrer todo o lugar, mas fizemos em um único dia. Quem não quer se cansar tanto e não se importa de gastar um pouco mais pode pagar pelo direito de percorrer o lugar em carrinhos de golf, mas isso vai de cada um...

Versão de Inmensa de 1982, criada em 2002 especialmente para Inhotim


Famosa composição de vigas de aço de Chris Burden

O gosto por arte é bem individual de cada um, portanto deixo para cada um de vocês ir e escolher o que gostou e não gostou (deixe um comentário contanto suas obras prediletas e as que não curtiram...).

Pavilhão em domo na mata para obra de Mathew Barney

Interessante obra com o trator que foi usado no local

A minha obra predileta (que sempre me fez querer ir até lá) é o Pavilhão Sônico, composto de um furo de pouco mais de 200 metros de profundidade com microfones e amplificadores para que se possa ouvir o “som da terra”. O visitante pode ouvir o som vindo naturalmente do subterrâneo em um pavilhão de vidro vazio. Bem interessante!!!

 
Pavilhão Sônico

Pode-se ouvir o som da terra no pavilhão

Furo com 202 metros de profundidade e microfones


São cerca de 500 obras de mais de cem artistas, como Tunga, Hélio Oticica, Vik Muniz e outros.

Obra de Hélio Oticica


Obra Ttéia 1C na Galeria Lygia Pape


Além das obras de arte espalhadas ao ar livre e em pavilhões, Inhotim apresenta também um imenso jardim botânico, composto de diversos jardins com mais de 4000 espécies.

Jardins e paisagens são um convite a relaxar

Espelhos harmonizam galerias no ambiente

Galerias que interagem com a paisagem

Uma das mais conhecidas áreas do complexo é onde se pode plantar o próprio jardim em letras, mas no dia em que fomos lá havia muito poucas opções de letras nas prateleiras, eu queria formar as palavras “trilhar e mochilar” aqui para o blog, mas só consegui fazer meu nome mesmo...

Crie seus jardins em letras e palavras

Poucas letras disponíveis... só deu para escrever meu nome

Algumas obras em Inhotim oferecem experiências sensoriais e em um dia de verão você pode mergulhar (literalmente) em algumas obras. Além de diversas obras de interação do artista Hélio Oticica na exposição Cosmococa existe a famosa obra Piscina de Jorge Macchi ao ar livre.

Piscina com agenda telefônica: Obra ao ar livre que permite um mergulho do visitante

São cinco obras que permitem interação total com o visitante na galeria das Cosmococas

Caleidoscópio nos jardins

Minha visão da Aline pelo Caleidoscópio

Existem opções de restaurantes (caros...) e cafeterias (no mesmo padrão) na área do Instituto, já que se passa o dia todo lá dentro.

Um dos restaurantes de Inhotim

A simpática Cafeteria do Teatro

Casa Branca

O distrito é conhecido por abrigar uma das mais antigas comunidades hippies do país e abriga uma boa quantidade de pousadas e alguns poucos bons restaurantes.

Clima "paz e amor" de Casa Branca

Passamos por lá apenas para conhecer e almoçamos no "Angu e Couve", que fica em um casarão colonial ao lado da Igreja de São Sebastião, na praça principal. Nos recomendaram o Verdes Folhas também, mas não fomos conferir (mas é super bem falado esse restaurante, caso queira conhecer...).

Pintura no restaurante mostra o casarão e a igreja em um passado bem distante
Capela de Casa Branca: Estão erguendo uma igreja ao lado (matando a bela paisagem da capelinha)

Era nossa volta para casa e resolvemos chegar na BR-040 passando pela estrada que corta o Parque Estadual do Rola Moça.

Estrada segue pelo topo da Serra


Mirante dos Veados

No topo da serra está o Mirante dos Veados (não faço ideia de onde vem o nome, nem do parque, nem do mirante).


Mirante dos Veados



O vista do mirante é linda e se pode apreciar a serra com a cidade de Belo Horizonte logo abaixo.

Belo Horizonte vista do Mirante do Parque Estadual do Rola Moça




Dicas:

- Existem algumas cachoeiras na região, mas não são sinalizadas e estão longe dos centros urbanos, nas encostas das serras que delimitam o município. Infelizmente as cachoeiras ainda não são atrações turísticas e poucas pessoas vão te falar delas, mas algumas pousadas podem oferecer guias até lá;

- Brumadinho não parece aproveitar o potencial turístico da região e não oferece muitas opções de pousadas e restaurantes. É um lugar bem típico do interior e por isso muitos não se hospedam por lá. Não digo que aconselho ficar por lá, mas procure nas imediações também;

- Apesar de quase nenhuma opção de restaurantes (que fecham cedo ainda por cima) eu aconselho a ficar em algum dos distritos de Brumadinho ao invés de Belo Horizonte ou outra opção, mais distante. Aproveite para descansar quando não estiver caminhando por Inhotim;

- Fizemos todo Inhotim em apenas um único dia (sim, é possível!!!), mas foi super, mega, ultra cansativo e vale fazer em dois dias para aproveitar mais (só fica mais caro o passeio, já que serão duas entradas no museu);

- Piedade do Paraopeba e Casa Branca são dois distritos que podem ser usados como base para quem está indo a Brumadinho, mas não espere nada sofisticado em nenhum dos dois lugares. Não há muitas opções do que se fazer em nenhum dos distritos;

- Por fim, não deixe de passar pelos mirantes, faça como nós e chegue a Brumadinho entrando pelo Topo do Mundo e saia de lá passando pela Serra do Rola Moça, assim percorrerá todos os distritos e conhecerá os dois mirantes. Atenção, pois fazer o caminho ao contrário deste pode ser mais complicado, principalmente nas imediações do Rola Moça.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário, dúvida ou sugestão